Que os anjos não tinham sexo, eu já sabia, porém nunca imaginei que as batatinhas possuiam tal diferenciação.
Primeiro eu quero dizer uma coisa: Embora que nunca tenha concordado com a atitude de alguns desocupados que vivem na internet soprando apito e batendo tambor por conta de propaganda de TV, eu concordo que algumas campanhas são realmente bem imbecis.
Esse novo comercial da Ruffles, por exemplo. A culpa nem é da agência de propaganda, mas daqueles que criaram o produto.
Gente, entendam, quem definiu os sabores da batata frita e classificou-os como um produto para "meninos" e para "meninas" foi a Ruffles. A agência de propaganda apenas criou o comercial que, nesse caso, é apenas a "cereja do sundae".
Trata-se logicamente, na minha opinião, de uma jogada de marketing canhestra, algo que vai contra o princípio básico de qualquer comerciante que deseje vender um produto desse tipo: a universalidade. Todo mundo tem fome, independente do sexo ao qual pertença.
Lógico que alguns produtos (roupas por exemplo) tem seu público específico, porém outros são produtos de consumo geral, tipo: comida, bebida, remédios, etc.
Então a sacada é que ao definir um alimento como produto tipicamente masculino ou feminino estamos metafóricamente dando um "tiro no pé" do comerciante, porque, veja, qualquer pessoa que vive de vender comida e tem um QI superior à 30 pontos sabe que homens e mulheres tem estômago, boca, língua e outros órgãos, que não os reprodutivos, em comum, portanto, criar um sabor "barbecue" para rapazes e sabor "queijo" (lisinho) para meninas é algo que não deveria sequer ter espaço na propaganda de batata frita.
Ou será que os executivos da Ruffles não entenderam que um dos sabores "perde" automaticamente 50% dos seus consumidores ao ser definido dessa maneira?
Imagine a loucura que seria criar uma marca de papéis higiênicos cor-de-rosa, "mais macio, lisinho", para meninas e outro em cor azul "mais áspero" para os meninos? Idiotice, enfim. Perda de tempo e de dinheiro, porque sabemos claramente o que todos desejam num papel higiênico: maciez, capacidade de absorção, rendimento, etc.
Cor? Textura? Who cares? Nesses casos esse tipo de detalhe não importa.
Então vem o pessoal da Ruffles e bola essa "inteligente" campanha da "batata sexual".
Agora, imagine a cena: Um adolescente, orgulhoso de sua "macheza", entra numa loja de conveniência de um posto de combustível para comprar um pacote de batata fritas sabor queijo. Ele olha as prateleiras e vê que tem pacotes de Ruffles queijo (lisinho) "só para meninas" e pacotes de batatas fritas sabor queijo de outra marca, porém com embalagem "unissex".
Qual marca você acha que o adolescente vai comprar?
Eu sei a resposta e você também. Afinal de contas, está para nascer o adolescente do sexo masculino com auto-estima forte o suficiente para chegar junto ao grupo de amigos comendo um pacote de batatinhas fritas com embalagem "delicada" escrito "para meninas". Embora alguns argumentem afirmando que o mesmo talvez não acontecesse em relação às mulheres, o princípio básico da sexualização da comida está explícito na embalagem e alguns consumidores (os preconceituosos) sentir-se-ão incomodados com eles.
E nem vou entrar no mérito sobre machismo ou preconceito na propaganda, porque esse tipo de assunto é entediante. Machismo, feminismo, outros 'ísmos', pff, não trabalhamos isso por aqui.
O caso da batata sexual vai além das bandeiras ideológicas de sempre. Ao definir que certas comidas "agradam aos meninos" e outras "agradam as meninas", a campanha da Ruffles (não o comercial, que é consequencia dela) fere o principio básico do comércio, que é vender seu produto ao maior número possível de compradores, independente do sexo, idade, cor, religião que eles possuam.
É uma idiotice, enfim. Ofende sim, mas ofende mesmo é a inteligência do consumidor.
Duh!
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